A morte é um silêncio exigente, que acua até o ponto em que você cede e chora. É um silêncio rígido, que convive com o barulho com tanta naturalidade que mal se pode acompanhar. Ela sonda, espia, vigia e persegue insistentemente, porque chega o momento em que se abre mão da vida. Já não se pode mais. Morte.

Enquanto ela não chega, inventamos a vida. Inventamos uma vida profissional, outra pessoal, inventamos o lazer e também alguns momentos falando amenidades à beira de uma cama de hospital. “Marcio é um nome bonito, eu gosto de Marcio”, “Eu gosto do Marcio, vó”. Sorriso.  E de novo aquele silêncio exigente e incansável.