Chegou ao trabalho, ligou o computador, destrancou a gaveta, abriu o Outlook, leu alguns e-mails que só seriam respondidos mais tarde. Em cinco minutos o celular já apitava, lembrando-a de algum compromisso.
Abriu a agenda de papel, procurou a caneta azul com que sempre anotava as tarefas do dia. Adquiriu esse hábito: afazeres escritos em azul; tarefas concluídas riscadas com caneta vermelha. Cadê a caneta azul? Logo cedo, pensou.
Em pé, de frente pro resto do andar: Quem foi o filho da puta do corno que roubou a porra da minha caneta azul?! Deve ter sido o mesmo merda do cacete que comeu metade do bolo de aniversário que estava guardado — guardado!!! —  na copa! Ou foi o cornudo mal-comido do caralho que…— Respirou fundo. Deixa pra lá. Pode dar justa causa.